sábado, 11 de agosto de 2012

Um Dia de Estudante

"Coração de estudante, 
há que se cuidar da vida, 
há que se cuidar do mundo, 
tomar conta da amizade.
Alegria e muito sonho,
espalhados no caminho.
Verdes, planta e sentimento,
folha, coração, juventude e fé."
Coração de Estudante, Milton Nascimento

Esse é o trecho de uma das músicas mais belas que já ouvi. Fecho os olhos e escuto ela tocando em minha formatura. Estudar é um direito adquirido meu. Passei no primeiro e único vestibular que tentei, depois de ter terminado o 2° grau há 17 anos! Ao contrário de você, tive que trabalhar para aliviar a carga de meus pais.
Não é fácil conciliar as atividades de uma vida beirando os 40. Se você acha que é "tumultuada" aquela sua "rotina estressante de estágio e universidade" venha para o meu lado e tente conciliar universidade, o trabalho (não de 4h, mas de 8h, 12h...) que significa seu sustento, junte a isso a sua família, a sua esposa que precisa de seu tempo, a sua filha de 3 anos que quer brincar com você, sua religião a qual há 20 anos você se dedica, tente chegar das aulas e escrever relatórios, ler apostilas, redigir trabalhos, ter um bom desempenho nos estudos e na sua vida como empresário, marido e pai...Digo isso a título de ilustração, na tentativa de ser compreendido. Não espero que muitos compreendam. Suas vidas e mentes adolescentes, crentes de uma longa vida pela frente ainda é incapaz. A atitude de "papagaio de pirata" é perfeitamente compreensível, já pratiquei muito essa modalidade quando tinha a sua idade. Os congressos e encontros estudantis dos quais você participa, também já participei. Dormi na R.U.A. antes de você, ouvi sobre Marx, Engels, usei broche com a cruz e o martelo. Confesso que achei estranho que uma garota passeando de babydoll pelos corredores do CEPA tivesse mais impacto que os manifestos de nossos "companheiros de luta" do leste europeu. Votei nas assembleias naqueles que fizeram os movimentos estudantis de trampolim (e basta um pouco de leitura para ver que essa modalidade é muito antiga, para entender isso, basta ver o que é feito com os Conselhos Tutelares de hoje)...Quando posto minhas opiniões aqui, é nessas coisas que penso, não digo essas coisas como pai, marido, estudante, militante porque simplesmente "li num livro" ou "ouvi alguém dizer", digo isso porque VIVI.
Quando vou para o COS (o bloco de Comunicação Social da Ufal) vou aprender, estudar, vou me "divertir". Não é uma obrigação, falta de alternativa. Não tenho mais a mente flutuante e indecisa que vagueia entre as áreas de comunicação social e.. "engenharia de agrimensura"! Até mesmo porque minha idade não me permite esse luxo. Jornalismo SEMPRE FOI MEU SONHO! E sonhos, como dia o poeta, "não envelhecem". Talvez nunca exerça a minha profissão, o mercado de trabalho se fecha muito para os mais velhinhos. Só quero que digam de mim algo do tipo: "O que ele é?"Ah! Ele é um jornalista formado pela Ufal". Já fica até legal. Você sequer consegue imaginar a alegria quando passei pela primeira vez os portões da Ufal, quando caminhei pelas calçadas sob as oliveiras que despejam seus "brincos de viúva" que você tanto reclama. Sou o filho caçula de uma família de onze filhos dos quais três sequer sobreviveram. Sou grato a minha mãe por ter encarado uma gravidez de alto risco nos seus 44 anos, mesmo depois de algumas decepções e traumas. Sou o primeiro a frequentar uma Universidade Federal.(Não que os outros não tiveram capacidade ou ferramentas para isso, só não tiveram a "mesma sorte") Quando vou para Ufal vou feliz, pois sei que estou no caminho certo, estou certo da minha decisão, não vou como um gastador de verbas do Governo Federal, ocupar uma cadeira que não valorizo ou da qual vou desistir daqui a um ou dois meses, parasitando ou mesmo usufruindo de um lugar pelo qual alguns sonharam e não conseguiram, mas tudo bem não é? Afinal, não é culpa sua.Você deve imaginar como me sinto quando vejo você tomar essas atitudes...Às vezes me chateio, noutras procuro entender, afinal, já fui algumas vezes assim como você. Penso que, se ao invés de uma postura assim você usasse sua diligência e atitude para mostrar aos professores o quanto você gosta do seu curso (se é que você gosta) ou do quanto você quer estudar (se é que você quer), causaria muito mais impacto. Já ouvi professores do COS dialogando sobre como é ver a "falta de compromisso" nos alunos que ainda se comportam como estudantes do ensino médio, ou dos que se arvoram nos movimentos estudantis, regurgitando discursos socialistas mas quando você olha as notas e a frequência de alguns deles você conclui sua falha no que mais deveria fazer: estudar.
Não seria uma boa ideia ao invés de desperdiçar seu tempo compondo jingles plagiados que apenas celebram a "falta do que fazer" e parecem um agradecimento por não estar estudando? Desculpem-me, acho que estudante é sinônimo de estudar. Saiba que não desprezo as atividades extra classe, palestras, simpósios, congressos. São muito válidas SE (e somente se) trazem para você um acréscimo de conhecimento e cultura. E algumas passeatas e atos criam alguns vínculos que podem até durar. Fico muito feliz quando vejo alguns do nosso meio se destacarem e darem a Ufal mais reconhecimento seja em âmbito estadual ou nacional. Isso sim é uma vitória. Uma batalha digna de ser travada. Mostrar para todos que mesmo com poucos recursos você é capaz de fazer muito bem.
Hoje, desejo com todo coração um FELIZ DIA DO ESTUDANTE! Para todos aqueles que são e mesmo até para os que usufruem do maravilhoso título.


Um comentário:

José Guibson Dantas disse...

Adorei o blog. Parabéns.